Arquivo para Julho, 2008

Apelo de amor desesperado

Postado em logs (chat), poesia, rabiscos com as tags , , , , , em Julho 10, 2008 por j0Rd1

maria+joão

Nessa terça-feira de sal, de terra, tenho meu estomago cheio de seixos de rio, gelados, enquanto escrevo. Eu passei pelos dias do Sol e da Lua tentando manter seu gosto aceso no céu da minha boca, roçando a língua, lembrando de uma ponta de gelo nos seus aparelhos dentários. Um pouco de amargo da cerveja, e o sal da comida e da pele. Essa terça-feira de carvão, pedras opacas de negrume no meu peito.
Caminhei meu domingo em devaneios, te lembrando, tentando prender minhas memórias olfativas na ponta da língua, a insistência do seu gosto. Gula, muita gula. Culpa por ter devorado tal sobremesa com tanta pressa, sem degustá-la como se deve: talvez coberta de leite, ou coberta de lençóis. Dessa fome voraz que fizeste florescer em mim fiquei entorpecido e exausto, por que não percebi que outra fome, a dos sais minerais e das vitaminas aportava por cá. Quero tanto deitar contigo a mesa e me servir novamente em fartas garfadas dos pequenos dedos de tua mão, com mordidas das maçãs do rosto. Ah! E os lábios de cereja, tanto os cobicei, como a raposa das fábulas… Tanto que nem sabes, minha bela árvore, teus ramos nem suspeitam há quanto tempo os olhava e ansiava cravar-lhes os dentes, e novamente os faço, apreciando no patamar onírico dos que sonham na luz do dia, não só sua cor de fruta madura como a consistência da pele fina entre os dentes.
Minha ave de madeira, macieira esguia.

Caminhei minha segunda-feira, com o coração ao mesmo tempo leve e pesado, sem medida, metros, quilos ou newtons. Apenas o coração a passos rápidos, ansioso por você; a cada telefonema incompleto, a cada voz de gravação. Já esgotado, vazio e seco acabei no bar…

::::: sob efeito de Alceu Valença – Sol e Chuva

…voltando

Postado em logs (chat), rabiscos com as tags , , , em Julho 10, 2008 por j0Rd1

Ta certo, ta na hora de começar a contar história, parar de enrolar e colocar todos a par. Então vamos começar. E o principio é justamente o começo do ano, e aqui entre nós foi um começo foda, de um lado eu: todo egoísta correndo atrás do prejuízo ou da solidão, não sei ao certo… do outro musas e musas se distanciando, e a conta de telefone pra vencer, justamente ao contrário, se aproximando ameaçadoramente…
Depois do carnaval, a Internet é suspensa, junto com o telefone, resolvo, então colocar uns projetos engavetados pra andar, testar uns softwares de edição (Gimp) e vetor (Inkscape) devidamente e entregar uns pedidos adormecidos: retratos, tattoos e cartoons… adiantar uns textos e idéias no papel, essas coisas. Stocks e coisa e tal tudo por mim mesmo: saí fotografando madeira, papel, desenhos e grama. Comecei a ler uns manuais, e voltei a praticar com lápis de cor.

O primeiro trampo que eu terminei foi o “retrato” cartunisado da Boo². Saudades de falar com a Boo², embora ela nunca tenha se encontrado pessoalmente comigo, é uma furona :p

retrato de Boo²

Depois eu fiz alguns estudos, uns cartoons a mão e o meu cartão de visitas, e por fim voltei a me dedicar a um desenho, que era pra ser uma tattoo pra uma amiga, vetor e cor no GIMP, criar texturas, fotos, stocks, testes e testes, a cabeça pendia na saudade da pessoa real e na imagem mental, no arquétipo.

O contorno delineado nas penas artificiais daquela ave, me olhando, queimando minhas retinas com a luz do monitor. E a dona do elogio surgia em outras formas em outros rascunhos, em estudos de cor e a comparação da original e das suas várias cópias se tornaram comuns. Havia algo errado comigo. Afoguei-me em livros… Uma fuga para lugares distantes, Berlin Ocidental, França, URSS. Queria me livrar da areia do Brasil, me livrar daquelas penas de bits e sua contraparte real. Impossível.

De volta ao Teatro, por volta de março, uma encomenda e reclamações de “anda sumido, cara!”. Mas daí o stress, a ansiedade e o meu “coração galinha de leão”, ainda abatido, não dão conta, eu não agüento e entro numa fase seca, todo meu domínio de anatomia vira pó e voa embora: travo…

Mais tarde sai Linux, volta Windows e Photoshop. A experiência adquirida com o Inkscape passa para a pen-tool. Venho trabalhar na loja do meu pai, PC ligado e Photoshop aberto, colorindo os desenhos feitos na minha reclusão.

Então, aqui estamos nós. De volta ao começo e postando.

::::: sob efeito de Bjork – Venus as a boy