…voltando

Ta certo, ta na hora de começar a contar história, parar de enrolar e colocar todos a par. Então vamos começar. E o principio é justamente o começo do ano, e aqui entre nós foi um começo foda, de um lado eu: todo egoísta correndo atrás do prejuízo ou da solidão, não sei ao certo… do outro musas e musas se distanciando, e a conta de telefone pra vencer, justamente ao contrário, se aproximando ameaçadoramente…
Depois do carnaval, a Internet é suspensa, junto com o telefone, resolvo, então colocar uns projetos engavetados pra andar, testar uns softwares de edição (Gimp) e vetor (Inkscape) devidamente e entregar uns pedidos adormecidos: retratos, tattoos e cartoons… adiantar uns textos e idéias no papel, essas coisas. Stocks e coisa e tal tudo por mim mesmo: saí fotografando madeira, papel, desenhos e grama. Comecei a ler uns manuais, e voltei a praticar com lápis de cor.

O primeiro trampo que eu terminei foi o “retrato” cartunisado da Boo². Saudades de falar com a Boo², embora ela nunca tenha se encontrado pessoalmente comigo, é uma furona :p

retrato de Boo²

Depois eu fiz alguns estudos, uns cartoons a mão e o meu cartão de visitas, e por fim voltei a me dedicar a um desenho, que era pra ser uma tattoo pra uma amiga, vetor e cor no GIMP, criar texturas, fotos, stocks, testes e testes, a cabeça pendia na saudade da pessoa real e na imagem mental, no arquétipo.

O contorno delineado nas penas artificiais daquela ave, me olhando, queimando minhas retinas com a luz do monitor. E a dona do elogio surgia em outras formas em outros rascunhos, em estudos de cor e a comparação da original e das suas várias cópias se tornaram comuns. Havia algo errado comigo. Afoguei-me em livros… Uma fuga para lugares distantes, Berlin Ocidental, França, URSS. Queria me livrar da areia do Brasil, me livrar daquelas penas de bits e sua contraparte real. Impossível.

De volta ao Teatro, por volta de março, uma encomenda e reclamações de “anda sumido, cara!”. Mas daí o stress, a ansiedade e o meu “coração galinha de leão”, ainda abatido, não dão conta, eu não agüento e entro numa fase seca, todo meu domínio de anatomia vira pó e voa embora: travo…

Mais tarde sai Linux, volta Windows e Photoshop. A experiência adquirida com o Inkscape passa para a pen-tool. Venho trabalhar na loja do meu pai, PC ligado e Photoshop aberto, colorindo os desenhos feitos na minha reclusão.

Então, aqui estamos nós. De volta ao começo e postando.

::::: sob efeito de Bjork – Venus as a boy

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